5.12.08

Pyrrhic Viktor

A vida é repleta de vitórias de Pirro. Não se vem, vê e vence, sem que alguma coisa fique perdida pelo caminho. Alguma essência, algum milésimo de segundo que fizesse mais feliz. Há felicidade? Não consigo imaginar o que seja a felicidade. Não consigo me felicitar. Não consigo pensar que é possível alcançar a plenitude. Não é. A felicidade é ignorância. A felicidade é resignação. Sou infeliz porque sou utópico. Sou infeliz porque quero ser plenamente feliz. E, no entanto, há sempre um fio de Ariadne me puxando para baixo, para de volta ao labirinto. Há sempre um minotauro a ser enfrentado. E se não há minotauro, há o próprio labirinto.

A vida é repleta de vitórias de Pirro. É preciso ser bom perdedor. Saber quando jogar a toalha e quando largar o osso (desde que com carinho na barriguinha). Só não é preciso abandonar o barco. "Mulheres e crianças primeiro!"

A vida é repleta de vitórias de Pirro. Fiz tudo o que estava ao meu alcance, agora está em minhas mãos. La mano de Dios.

A vida é repleta de vitórias de Pirro. É preciso suceder às batalhas de áscuas - pois não bastar apenas ver, é preciso vencer. E não basta vencer, é preciso dar show. E o show, como se sabe bem, não pode parar.

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18.11.08

O Paradoxo da Gratidão

Parece mero papo de psicólogo ou de neobudista bestseller, mas é a pura verdade: ser feliz é agradecer. Ser feliz não é receber "obrigado". Ser feliz é dizer. É agradecer. Marcel Mauss certamente achou esse caminho. Não sei se ele o praticava, mas que achou, achou. A dávida é o que importa. E a dádiva é parenta próxima da gratidão. Você oferece, você dá. Você quase deve, em certo sentido. E, por isso, o "estar obrigado".

Nunca gostei das mães que ensinam aos filhos "as palavrinhas mágicas". Gratidão não se cobra, gratidão se descobre. Só uma pessoa suficiente madura pode agradecer, sem achar que não deve nada a ninguém. Só uma pessoa realmente feliz pode exercer a gratidão. E aí, caímos num paradoxo que eu estou meio farto de encontrar nos estudos sobre cidadania. Só o cidadão exerce a cidadania, mas buscar a cidadania é necessariamente exercê-la. E se a busco, não a tenho. O mesmo acontece com a felicidade exercida através da gratidão.

Na proporção direta do que significa a gratidão para a felicidade, está o que significa retroceder para o amor. Retroceder, não no sentido de involuir, mas de voltar atrás. Quem ama é quem está sempre disposto a se despir do orgulho, para voltar atrás. Será isso? Ou é isso que a vida tem me ensinado?

Mas estou realmente entristecido e sem saco de escrever mais por hoje. Talvez eu retome essa reflexão mais adiante. Grato aos que me lêem...

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