18.11.08

O Paradoxo da Gratidão

Parece mero papo de psicólogo ou de neobudista bestseller, mas é a pura verdade: ser feliz é agradecer. Ser feliz não é receber "obrigado". Ser feliz é dizer. É agradecer. Marcel Mauss certamente achou esse caminho. Não sei se ele o praticava, mas que achou, achou. A dávida é o que importa. E a dádiva é parenta próxima da gratidão. Você oferece, você dá. Você quase deve, em certo sentido. E, por isso, o "estar obrigado".

Nunca gostei das mães que ensinam aos filhos "as palavrinhas mágicas". Gratidão não se cobra, gratidão se descobre. Só uma pessoa suficiente madura pode agradecer, sem achar que não deve nada a ninguém. Só uma pessoa realmente feliz pode exercer a gratidão. E aí, caímos num paradoxo que eu estou meio farto de encontrar nos estudos sobre cidadania. Só o cidadão exerce a cidadania, mas buscar a cidadania é necessariamente exercê-la. E se a busco, não a tenho. O mesmo acontece com a felicidade exercida através da gratidão.

Na proporção direta do que significa a gratidão para a felicidade, está o que significa retroceder para o amor. Retroceder, não no sentido de involuir, mas de voltar atrás. Quem ama é quem está sempre disposto a se despir do orgulho, para voltar atrás. Será isso? Ou é isso que a vida tem me ensinado?

Mas estou realmente entristecido e sem saco de escrever mais por hoje. Talvez eu retome essa reflexão mais adiante. Grato aos que me lêem...

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