14.2.07

Grid sem volta

http://www.flickr.com/
http://www.flickr.com/
Eu sujeito da serra da Mantiqueira sujeito à moto-serra do Cerrado descobri só há pouco que não nasci para estradas de curvas verticais. Jamais enjoei em vai-para-lá-vem-para-cás de estradas sinuosas e semicerradas mas me desamparei quando apercebi a lonjura das estradas retas. Quem foi que disse que a menor distância entre dois tontos é uma reta? Pois que não seja. Estradas que são retas têm curvas verticais ondulações que não acabam mais. Enjoei sem parar em uma viagem de dez-oito horas. Mas fui recompensado. Fui recompensado já que não sou madeira-de-lei. Quase não chorei. Enjoei. Enjoei.


É como se as estradas curvas fossem os sulcos e as retas tivessem de atravessar um ponto de capitonê. Eu sujeito à praia e às intempéries da vida não sustento e nem me sujeito aos muçurungos do horizonte vazio aquele vazio que congela a alma e dá dó no espírito. Enxergar como se nada visse por perto é como falar longe do mudo. Do mundo. Muçurungo.

http://www.flickr.com/País de longas não-estradas e de comunidades inteiras sem estrados nem tetos nem foices para ceifar a porcaria da colheita de arrozes que margeia cada uma das praias desse asfalto alto e sem fim. Eu que sou garoto do eixo nunca me dignifico às distâncias longínquas e famélicas que ultrapassem a classe média e minha mediocridade. Não sou nem classe longe nem classe perto. Sou não-certo um fêmeo desperto. Um efêmero berta que começa a disparar finneganices desde que lhe piraram o cabeção. É a foice do Joyce. Mania de não ser se não for pra ser ex-peri-mentalidade. Uma porra de cada livro que leio me influencia torrencialmente sou uma puta da literatura com a vantagem de não ter que dar. Ou será que dou?

http://www.flickr.com/
Cada curva que o ônibus não faz é um ar que não respiro. Um brifo que me exala. Uma pira. Um piro. Cada falo que tu pensas é um não-refletir sobre o que digo é um panorama infindável de trigo um sexo com teu umbigo. Pode parecer lugar-comum mas não sei mais falar sem esquisitices sem finneganices acho que desaprendi a escrever e não sei mais ser modesto. Pode parecer lugar-comum mais não é comum e é não-lugar. Escrever passa a ser não me alugar por curva nenhuma. E agora pausa para o vômito.

Marcadores: , ,